Camaçarí / BA - 02 de Novembro de 2026
Publicado em 01/11/2026 17h31

Dezenas de mulheres pagaram até R$ 3 mil em falso mutirão do Outubro Rosa

Responsável pelo suposto projeto usava nomes de cirurgiões renomados e de hospital público do DF para dar credibilidade ao falso mutirão
Por: Metrópole/ TV Revista

Dezenas de mulheres pagaram até R$ 3 mil em falso mutirão do Outubro Rosa

 

Um grupo de mulheres denuncia ter sido vítima de um golpe envolvendo um falso mutirão de cirurgias plásticas no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), que prometia procedimentos gratuitos de redução de mama e colocação de próteses. Sob o nome de “Renova Mama, Um Recomeço”, o suposto projeto usava a campanha Outubro Rosa como fachada para atrair pacientes. As vítimas eram informadas de que precisariam pagar apenas pelos insumos cirúrgicos, com valores que variavam de R$ 1 mil a R$ 3 mil. 

O nome da unidade pública de saúde teria sido utilizado indevidamente para dar credibilidade à falsa promessa de realização das cirurgias. Não havia, portanto, um mutirão oficial do hospital nos moldes anunciados às pacientes. 

A responsável pelo projeto, identificada como Tayná Regina Oliveira Castro, 42 anos, ainda teria utilizado indevidamente os nomes de cirurgiões plásticos conhecidos no Distrito Federal e que também atuam na Secretaria de Saúde, afirmando que eles seriam os responsáveis por realizar os procedimentos nas pacientes. Ao Metrópoles, Tayná negou ser golpista e disse que também foi “induzida a erro pelas informações que me foram apresentadas sobre a proposta de cirurgias por valores reduzidos” (leia a resposta completa mais abaixo). 

As suspeitas começaram a surgir quando as mulheres compareciam às consultas supostamente agendadas com os cirurgiões e descobriam que não havia qualquer registro de atendimento em seus nomes. Em outros casos, os atendimentos previstos para o Hran ou para clínicas particulares vinculadas aos médicos eram desmarcados, poucas horas antes do horário marcado, por pessoas ligadas ao suposto projeto social. 

Agora, as mulheres tentam recuperar os valores pagos pelos procedimentos que nunca foram realizados. A denúncia também foi registrada na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que investiga o caso como suspeita de estelionato. 

Conforme apurado, ao menos 30 mulheres integram o grupo de pacientes que aguardavam atendimento no suposto mutirão de cirurgias plásticas e teriam pago valores indevidos para garantir os procedimentos.

Após realizarem transferências para contas bancárias de Tayná ou de terceiros supostamente ligados a ela, as vítimas recebiam solicitações de exames médicos assinadas por uma médica generalista. Em áudios enviados ao grupo de pacientes do projeto, aos quais a reportagem teve acesso, a suspeita orientava as mulheres sobre como deveriam proceder no dia das consultas.

“Uma pessoa responsável da secretaria [de Saúde] vai entrar em contato com cada uma de vocês, informando a data, o horário e o local da consulta. No dia, é preciso levar o cartão do SUS. Vai ter um agente da secretaria lá que, ao final da consulta, já vai colocar a cirurgia de vocês no mapa cirúrgico e entregar um protocolo. Então, vocês já vão sair da consulta com a cirurgia agendada”, garantiu a mulher no áudio.

Na mesma gravação, a golpista fala que, para conseguir colocar as mulheres no mutirão de cirurgias, teria justificado que as pacientes faziam parte de uma ONG.

“Para, todavia, somos pacientes de ONG, pacientes fragilizadas, pacientes que passaram por problemas de violência psicológica. Pelo amor de Deus, tá, gente? Como o projeto é voltado para pacientes com câncer e para a autoestima, conseguimos essa brecha para entrar como ONG. Assim, não teremos problema nenhum com as nossas internações, tá bom?”, orienta ela.

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