
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a entrada temporária do senador Flávio Bolsonaro (PL) no país, e um integrante da Casa Branca teria providenciado o jato particular usado na viagem. As informações são do jornal norte-americano The New York Times, que ouviu autoridades dos EUA sob condição de anonimato.
Segundo a publicação, a ajuda partiu de Jason Miller, funcionário de comunicações da Casa Branca. Flávio e familiares entraram no país por meio do chamado “parole”, mecanismo que possibilita a permanência temporária de estrangeiros em território norte-americano por razões humanitárias urgentes ou por benefício público significativo.
Trump concedeu o visto temporário a Flávio, que “provavelmente terá uma residência permanente assegurada posteriormente”, afirma o jornal norte-americano.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos confirmou ao jornal que o senador e os familiares que o acompanhavam passaram por inspeção do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras e foram liberados ao fim do procedimento.
Na quarta-feira (28/10), o presidente norte-americano confirmou publicamente que Flávio havia recebido permissão para entrar no país.
Uma autoridade norte-americana afirmou ao The New York Times que Flávio Bolsonaro deve solicitar futuramente o green card, documento que concede residência permanente nos Estados Unidos. Segundo a fonte, o pedido poderá ser processado de forma acelerada, como ocorreu com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão mais novo do senador, que obteve residência permanente em julho deste ano.
O jornal também identificou, por meio da análise de registros públicos do governo norte-americano, indícios de que Flávio apresentou um passaporte diplomático brasileiro já cancelado ao chegar aos Estados Unidos.
Na segunda-feira (26/10), a Polícia Federal (PF) solicitou que o senador entregasse os passaportes em até 24 horas. A medida ocorreu em meio a investigações sobre os vínculos de Flávio com um advogado brasileiro, Willer Tomaz, acusado de lavagem e dinheiro por meio de um esquema envolvendo jogos de azar on-line.
O senador também é investigado por suspeitas relacionadas à arrecadação de recursos para financiar o filme, Dark Horse, sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, com dinheiro atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado em um amplo esquema de corrupção.
Como Flávio não entregou os documentos até a manhã de terça-feira (27/10), as autoridades brasileiras os cancelaram e emitiram um alerta migratório para impedir sua saída do país, segundo o jornal.
A PF afirmou não ter registro oficial da saída do senador do Brasil e informou que investiga as circunstâncias da viagem e um possível descumprimento de determinações judiciais. A corporação ressaltou, porém, que restrições de circulação e o cancelamento de documentos não tornam automaticamente uma pessoa fugitiva nem justificam, por si só, uma prisão.
Segundo autoridades migratórias argentinas citadas pelo New York Times, Flávio, a mulher e as duas filhas entraram na Argentina às 22h50 de terça-feira, por meio da Ponte da Fraternidade, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú.
A polícia federal argentina afirmou não ter registro da entrada da família.
Cerca de 40 minutos depois, Flávio e seus familiares embarcaram em um avião da empresa privada Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador. De lá, seguiram para Miami, onde chegaram na manhã dessa quarta-feira (28/10).
Uma pessoa familiarizada com a logística afirmou ao jornal que o plano começou a ser organizado na segunda-feira, após a determinação para que Flávio entregasse os passaportes.
O presidente da Argentina, Javier Miler se recusou a comentar o caso, enquanto a Casa Branca remeteu às declarações públicas do presidente Donald Trump, que confirmou ter autorizado a entrada do senador nos Estados Unidos.
Após chegar a Miami, Flávio divulgou uma carta em que afirmou ser alvo de perseguição política e agradeceu a Trump e ao presidente argentino. Inicialmente, apresentou-se como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mas depois alterou o trecho para “líder do Brasil”.
No fim do documento, porém, manteve a afirmação de que seria o presidente eleito e alegou fraude na eleição, sem apresentar provas.