Camaçarí / BA - 10 de Setembro de 2026
Publicado em 09/09/2026 19h27

Quatro trabalhadores são resgatados de comunidade terapêutica em Feira de Santana

A situação foi identificada durante uma fiscalização realizada por auditores-fiscais do trabalho, vinculados à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Por: Alô Juca/ TV Revista

 

Quatro trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em uma comunidade terapêutica de Feira de Santana, na Bahia. A situação foi identificada durante uma fiscalização realizada por auditores-fiscais do trabalho, vinculados à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). 

Três dos trabalhadores haviam sido acolhidos inicialmente como pacientes da instituição, mas passaram a realizar de forma habitual atividades consideradas essenciais para o funcionamento do local.

 

Segundo a fiscalização, nenhum dos quatro tinha registro ou contrato formal de trabalho. Os auditores também encontraram problemas relacionados à moradia, remuneração, jornada, descanso, higiene e segurança.

 

A Inspeção do Trabalho constatou que a instituição utilizava de forma permanente a mão de obra dos próprios acolhidos. Entre as atividades realizadas estavam limpeza, manutenção, lavagem manual de roupas, preparo de alimentos, monitoria e cuidados com outros residentes.

 

De acordo com os auditores, essas tarefas eram apresentadas aos acolhidos como parte do processo de recuperação, sob a justificativa de que o trabalho contribuiria para o tratamento. No entanto, a fiscalização informou que não encontrou um plano terapêutico que justificasse a realização permanente das atividades, inclusive durante fins de semana.

 

O quarto trabalhador resgatado havia sido contratado diretamente pela instituição em agosto de 2025 para cuidar das pessoas acolhidas, administrar medicamentos, preparar alimentos e acompanhá-las em atendimentos de saúde. 

 

Apesar das funções desempenhadas, segundo a fiscalização, ele recebia remuneração inferior ao salário mínimo e também não tinha vínculo formalizado.

 

Durante a vistoria, os auditores também informaram que não encontraram no local profissionais com formação na área de saúde ou qualificação específica para acompanhar tecnicamente os acolhidos.

 

A situação chamou atenção porque, segundo a fiscalização, eram realizados cuidados cotidianos e até administração de medicamentos aos residentes.

 

Um dos trabalhadores estava na instituição havia mais de 15 anos. Segundo os auditores, ele vivia em uma situação de acentuada vulnerabilidade social, tinha pouco contato com familiares e não possuía meios próprios de comunicação.

 

O caso foi identificado durante a fiscalização trabalhista, que apontou condições consideradas incompatíveis com as garantias básicas de trabalho e dignidade.

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