
O comandante Emerson França, responsável pela instituição de cães de trabalho e resgate voluntário Brigada K9, em Salvador, denuncia que está há 40 dias sem acesso aos animais retirados da antiga sede da entidade, no Espaço Jequitaia, no bairro da Calçada. Os cães foram removidos durante a desocupação da área pelo Governo da Bahia, em julho, para a implantação do canteiro de obras da Ponte Salvador-Itaparica. O caso viralizou após publicação da atriz Paula Burlamaqui questionando onde estão os animais.
França afirma que, dos 25 cães que estavam no abrigo, oito cães desapareceram durante a mudança. Além disso, um animal morreu e o comandante diz que foi impedido de acessar o novo espaço para onde os animais foram levados, no antigo Estaleiro Corema, na Ribeira.
“Tenho fotos minhas no local acompanhando a obra. Quem pediu para fazer os canis de maneira adequada fui eu. Acompanhei a obra por dois meses, fazendo críticas construtivas para ajudar, porque o mestre de obras me disse que nunca tinha feito um canil e não sabia. Da Brigada foram levados 25 cães, não sei o que fizeram com os oito. Também não sei como furaram o olho do cachorro Black. Depois soubemos que mandaram eutanasiar o animal. A gente não quer briga, nem confusão, só quer ocupar o espaço onde estão os animais e continuar o trabalho da instituição”, declarou.
A Brigada K9 ocupa há cerca de 15 anos uma área do Espaço Jequitaia junto ao condomínio náutico da Calçada. Segundo a instituição, o terreno pertence ao Estado e estava abandonado há mais de 25 anos quando a Brigada foi convidada pelo condomínio a ocupar parte do espaço para ajudar na segurança do local. A entidade afirma que, após a decisão pela desocupação, foram realizadas reuniões com órgãos estaduais e houve a promessa de uma nova área equipada para abrigar os cães e os equipamentos utilizados nas atividades de resgate.
O Governo da Bahia, no entanto, apresenta uma versão diferente sobre as condições encontradas no local. Em nota, a Secretaria Extraordinária do Sistema Viário Oeste (Seponte), órgão temporário responsável por coordenar e fiscalizar a implantação da Ponte Salvador-Itaparica, informou que a área vinha sendo ocupada irregularmente e que, após o fim das tentativas de desocupação consensual, a retomada administrativa foi realizada em 24 de julho.