
A discussão nacional sobre o fim da escala 6x1 coloca em pratos limpos o histórico dilema do mercado de trabalho brasileiro: como garantir mais tempo livre ao trabalhador sem desorganizar a estrutura financeira das empresas? Segundo projeção apresentada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a resposta a essa equação pode exigir um período de adaptação de 15 a 30 anos.
Para que a conta feche sem demissões ou cortes salariais, a produtividade do trabalhador brasileiro precisaria aumentar de imediato entre 8,3% e 8,5%. Contudo, nas atividades que mais movimentam a economia regional, o esforço exigido seria ainda maior: o setor de comércio precisaria elevar a produtividade em 10,6%, enquanto a agropecuária teria de alcançar um aumento de 13,6%.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, depois da publicação do levantamento alertou para os sobre as consequências para a população:
“Não existe redução de jornada imposta por lei que não afete empregos, salários e produção. Nos três cenários, os trabalhadores perdem”.
Setores que operam de segunda a domingo terão de contratar novos profissionais para preencher as lacunas das folgas estendidas. Nas últimas quatro décadas (1981 a 2024), a produção por hora no Brasil subiu apenas 0,5% ao ano.
Pequenos negócios têm margens de lucro reduzidas e menor capacidade de absorver o aumento repentino nos custos de contratação. Nos últimos seis anos, a taxa caiu para 0,28% anuais. Nesse passo, o país levará cerca de 17 anos para cobrir o buraco gerado pela nova escala
A taxa média de crescimento da produtividade no Brasil nas últimas décadas é insuficiente para neutralizar os custos da proposta no curto prazo. A indústria do país amarga a 91ª posição global em produção por hora trabalhada e o 100º lugar por funcionário.
A entidade argumenta que reformas que incentivem a qualificação profissional e a inovação tecnológica precisam anteceder ou acompanhar as mudanças na Legislação Trabalhista, garantindo que o avanço social não resulte em perda de postos de trabalho formais.
A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 traz à tona um dilema direto para o dia a dia dos negócios: como conceder mais folgas sem inviabilizar o funcionamento. Segundo a projeção, o fim desse regime causará um corte imediato de 7,8% nas horas trabalhadas no Brasil, exigindo um nível de reorganização que os pequenos e médios empresários dificilmente absorverão sem repassar custos.
Comentaristas e líderes do setor produtivo apontam que a conta do encarecimento das escalas operacionais acabará sendo dividida com o cidadão comum, seja no aumento da inflação dos serviços ou no freio para novas contratações formais.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, ressalta que o avanço da proposta no Congresso precisa levar em conta a realidade do ambiente de negócios.
“O desempenho brasileiro mostra que a redução do tempo de trabalho só é sustentável se houver condições que permitam elevar a eficiência econômica. O desafio é bem maior do que condensar em menos tempo o mesmo esforço. São necessárias condições estruturais capazes de tornar o trabalho mais eficiente”, adverte o líder empresarial.