Camaçarí / BA - 22 de Agosto de 2026
Publicado em 21/08/2026 22h58

25 cirurgiões-gerais comunicam saída das escalas do Hospital Roberto Santos após cinco meses sem pagamento

Os cirurgiões também apontaram defasagem nos valores pagos, considerados pelos profissionais incompatíveis com as atividades de alta complexidade desenvolvidas na unidade.
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Foto: Reprodução

Um grupo de 25 cirurgiões-gerais do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), em Salvador, comunicou ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), na segunda-feira (17), o desligamento programado das escalas da unidade após cinco meses sem receber pelos serviços prestados. A medida pode reduzir a capacidade de atendimento do hospital, segundo as informações encaminhadas ao conselho.

Além dos pagamentos em atraso, os médicos relataram outras dificuldades relacionadas à organização do serviço. Entre as demandas apresentadas está a sobrecarga de trabalho provocada pela falta de profissionais nas escalas, situação atribuída ao desligamento de outros plantonistas. Os cirurgiões também apontaram defasagem nos valores pagos, considerados pelos profissionais incompatíveis com as atividades de alta complexidade desenvolvidas na unidade.

Segundo o Cremeb, o grupo tentou estabelecer diálogo com a gestão do hospital em diferentes ocasiões para buscar uma solução tanto para os atrasos na remuneração quanto para o desfalque nas escalas, mas não houve resolução efetiva até o momento.

Após receber a denúncia, o conselho encaminhou ofícios à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA). O conselheiro e diretor do Departamento de Defesa das Prerrogativas do Médico (DEPMED), José Abelardo de Meneses, afirmou que o aumento de situações relacionadas à falta de pagamento de honorários preocupa a entidade também pelos possíveis efeitos sobre o atendimento à população.

De acordo com Meneses, a inadimplência atinge diretamente os profissionais, mas também pode afetar a assistência aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente pacientes que dependem do atendimento hospitalar público.

O caso envolve o Hospital Geral Roberto Santos, unidade pública estadual localizada em Salvador e integrante da rede administrada pela Sesab. A preocupação apresentada pelo Cremeb está relacionada à possibilidade de redução das escalas de cirurgia geral caso os profissionais efetivamente deixem os plantões previstos.

Segundo o Correio, a Sesab e o Ministério Público foram procurados para se manifestar sobre o caso e, até a publicação da matéria, não haviam respondido.

O Cremeb informou que acompanha a situação e defende a regularização dos pagamentos referentes aos serviços já realizados pelos médicos. A entidade também destacou a necessidade de manutenção de equipes suficientes nas escalas para evitar impactos no atendimento da população.

A eventual saída dos 25 profissionais poderá alterar a oferta de serviços de cirurgia geral na unidade, caso não haja recomposição das equipes.

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