Camaçarí / BA - 09 de Maio de 2026
Publicado em 04/05/2026 08h12

(Parece piada) A ponte Salvador-Itaparica está com o calendário em dia’ diz Afonso Florence

A subserviência, o corporativismo político, a falta de sensatez e ausência de sensibilidade com problemas que refletem negativamente na Bahia e no país deram o tom a entrevista.
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Opinião: O Tribuna da Bahia fez uma entrevista com o deputado federal Afonso Florence, ele que  esteve no comando da Casa Civil do governo Jerônimo Rodrigues, o entendimento do petista sobre a gestão do governador da Bahia beira a linha do ridículo. A subserviência, o corporativismo político, a falta de sensatez  e ausência de sensibilidade com problemas que refletem negativamente na Bahia e no país  deram o tom a entrevista 

Afonso Florence é eleito novo líder do PT na Câmara - Jornal O Globo 

 

O deputado federal Afonso Florence (PT) avaliou como “a mais importante da vida” sua passagem pela Casa Civil do governo Jerônimo Rodrigues, destacando entregas em áreas como saúde, educação e mobilidade. Segundo ele, o desempenho da gestão coloca o governador em posição de favoritismo para a reeleição. Entre os principais projetos, Florence apontou a ponte Salvador-Itaparica como um “processo irreversível”, com início das obras previsto e impacto direto no desenvolvimento econômico da Bahia.

Ao tratar do legado do atual governo, o deputado enfatizou os programas sociais, como o Bolsa Presença e iniciativas na área da educação integral, além da ampliação da rede de saúde. Para ele, há uma identificação direta entre as políticas estaduais e as ações do presidente Lula, sobretudo no foco voltado à população mais vulnerável. Florence também demonstrou confiança na chapa governista para 2026, classificando a composição como “a melhor escolha” e prevendo vitória ainda no primeiro turno. Em tom crítico, atacou o grupo de oposição, citando problemas na gestão de saúde em Salvador e afirmando que o adversário será derrotado. No cenário nacional, o parlamentar avaliou que a disputa tende à polarização e apontou as fake news como um dos principais desafios da campanha. Ele acredita, no entanto, que Lula chegará fortalecido ao pleito. 

Tribuna: Primeiro, para começar, eu gostaria de falar um pouco sobre sua atuação na Secretaria da Casa Civil, que o senhor deixou recentemente. Eu gostaria de saber o que o senhor destacaria ao longo desses anos de trabalho, o que deixou de legado no governo Jerônimo Rodrigues e para Bahia também?

Afonso Florence: A passagem na Secretaria da Casa Civil é a mais importante da minha vida. Já tinha sido secretário da Sedur no primeiro governo Wagner, ministro no primeiro governo Dilma, fui líder em várias funções na Câmara e no Congresso Nacional, mas a Casa Civil, com a liderança de Jerônimo, com as entregas que foram feitas na saúde, na educação, na mobilidade, é a passagem mais importante porque foi bem-sucedida, o governo bem-sucedido. O governador chega na pré-campanha em condições de favoritismo eleitoral por conta do êxito do governo. Claro, a parceria com o presidente Lula foi muito importante, o papel do ministro da Casa Civil, Rui Cosa, foi importante, do senador Wagner, na liderança do governo foi importante, mas a Casa Civil cumpriu um papel notório, conhecido, e esse resultado consagra a nossa passagem ali. Eu sou muito agradecido ao governador Jerônimo, ao PT e a todo o grupo por essa oportunidade.

 

Tribuna: A gente tem a questão da Ponte Salvador-Itaparica. Como é que está o andamento desse projeto? A Bahia pode ter a perspectiva de ver essa obra concretizada?

Afonso Florence: Com certeza. Estamos com o calendário em dia. Ele tem como data base 4 de junho de 2025, quando é assinado o primeiro aditivo do contrato de 2020. Como teve pandemia, não foi possível executar aquele contrato. Com autorização do Tribunal de Contas e Ministério Público de Contas, nós assinamos um novo contrato, que é um aditivo. Em 4 de junho de 2025, que deu como data referência para início de obra 4 de junho de 2026. Esse início de obra tem canteiro em Veracruz, canteiro em Salvador, canteiro em Maragojipe, e tem início de movimentação marítima, merece destaque a dragagem do acesso ao porto e a implantação da Plataforma Linear Provisória, PLP. É irreversível esse processo e eu considero que é importante ter claro que não se trata só de uma ponte, é um vetor de desenvolvimento oeste da capital, passando pelo mar, chegando na Ilha de Itaparica, impactando positivamente os municípios de Vera Cruz e Itaparica, que os prefeitos têm contribuído muito. E evoluindo pela estrada BA-001 até Nazaré das Farinhas, até Santo Antônio de Jesus, até Castro Alves, até o município de Rafael Jambeiro, na BR-116, no ponto conhecido como Paraguaçu. Então, esse Sistema Viário Oeste é muito grande, ele se inicia pela ponte e a Bahia será outra, mais desenvolvida, mais inclusiva e a população baiana pode ficar tranquila. Brevemente, veremos a movimentação no mar para início, já com o início das obras.

 

Tribuna: Jerônimo já está praticamente na reta final do primeiro mandato. Queria saber do senhor o que o senhor acredita que Jerônimo deixa de mais importante em termos de legado e o que ele ainda talvez não tenha conseguido cumprir nesse mandato e que ele pretende no eventual segundo mandato?

Afonso Florence: O maior legado do governo Jerônimo são os programas sociais, os programas que atendem a população. Na educação, além da escola de tempo integral, da alimentação escolar, tem o Bolsa Presença. Governo do Estado, no governo Rui Costa, Jerônimo secretário da Educação, implantou um programa que paga uma bolsa para o garoto ou garota da rede pública estudar, garantir a frequência escolar. Tem toda uma política para a melhoria da qualidade da escola pública, mas o Bolsa Presença é muito importante. Claro, a escola em tempo integral é importante. Jerônimo iniciou e concluiu mais de 100 escolas. A última conta era de novos inícios de obra. Mas eu ressalto aí o Bolsa Presença. Tem o Mais Futuro, tem Mais Estudo. O trabalho com a atenção básica da saúde dos municípios varia muito. Tem município que é bom, tem município que é ruim. Salvador é uma calamidade na gestão municipal de saúde, mas o governo Rui implantou duas policlínicas em Salvador. O governo Jerônimo ampliou os serviços das policlínicas na parceria com o presidente Lula e o programa Mais Especialistas. E, além disso, o governo do estado tem 22 hospitais só na capital. Jerônimo instalou mais de 5.500 leitos novos na Bahia toda. E, com isso, a gente atende a população, aumentando, é claro, o gasto público para manter essa rede de saúde. Então, é programa social, é infraestrutura social, educação e saúde. Claro que o Bahia Sem Fome e o Bahia Pela Paz também estão na lista de programas implantados por Jerônimo, já com resultados muito importantes. Então, os programas sociais mostram para a população que Jerônimo é igual a Lula. É Lula no Brasil e Jerônimo na Bahia. São as ações que eu considero mais relevantes, as sociais. Claro que VLT, metrô, nova rodoviária, pontes, o PAC como um todo são muito importantes. Mas chegam também à população que mais precisa. Mas os programas sociais dão uma aproximação enorme do governo Jerônimo e o governo Lula, melhorando a vida das baianas e baianos.

 

Tribuna: Jerônimo vai para a reeleição com a chapa composta por “três governadores,” mais o MDB na vice. O senhor acredita que esse foi o desenho ideal da chapa? Como é que o senhor avalia essas escolhas?

Afonso Florence: Eu tenho certeza disso. Foi a melhor escolha. De um lado, o senador Wagner, o maior líder político da história da Bahia, na República, porque fez essa liderança com democracia, não foi com autoritarismo e violência. O governador Wagner tem dito desde o início, quando o debate foi feito, o time que está ganhando não se mexe. Então a manutenção da candidatura de Geraldo Júnior, eu considero, foi acertada, era natural. Claro que a expectativa de vitória da chapa de Jerônimo fez muita gente se mexer. Claro que a notícia que sai é de convites, mas às vezes é gente querendo entrar também e é legítimo, é da política. Mas ficou confirmado o nome natural, que era Geraldo Júnior, a chapa do Senado à reeleição do senador Wagner, ex-governador, líder de Lula, pessoa, digamos assim, no parlamento mais do lado de Lula, uma história de mais de quatro décadas de parceria, implantou essa nova etapa, essa nova era na Bahia, ganhando a eleição de 2006 e a reeleição dele é muito importante para o povo baiano. E a eleição de governador, um desempenho político e de gestão sempre altíssimo e uma pré-candidatura que já está no campo mostrando sua potência eleitoral, apesar de pouco tempo de desincompatibilização. Por isso, a chapa com a liderança do governador Jerônimo é a reeleição. Com esses resultados, esses indicadores de gestão na saúde, na educação, na mobilidade urbana, é uma chapa que eu considero imbatível. Nós vamos, claro, enfrentar o mais legítimo herdeiro das oligarquias, né? Neto do oligarca maior que a Bahia teve, que se alia à extrema direita, que tem um apoio de muitos poderosos, mas nós vamos defender o nosso trabalho de atender a população que mais precisa e a minha expectativa, já que é uma eleição polarizada, é que a gente ganhe no primeiro turno.

 

Tribuna: Falando nisso, a chapa de ACM Neto tem um dissidente do grupo governista, que é o Angelo Coronel. O senhor acha que a chapa de Neto é uma chapa competitiva ou terá dificuldade para bater a chapa de Jerônimo?

Afonso Florence: A chapa de ACM Neto vai ser derrotada em todas as promoções que pleiteiam voto popular. ACM Neto foi testado, Salvador tem a pior saúde das capitais, ele se negou a implantar policlínica, é uma obrigação de lei, da lei do SUS, a lei de 1990, e depois de 13 anos do grupo de Neto com o Bruno Reis, agora que ele está implantando, inaugurando uma policlínica. Salvador só tem dois hospitais e uma policlínica, não tem emergência, não tem urgência, é a primeira maternidade. O governo do estado tem 22 hospitais dentro de Salvador. Tem duas policlínicas. Salvador é o único município do estado que não entra nas policlínicas. Não quer policlínica. É um legado muito ruim de gestor e no debate eleitoral nós vamos mostrar isso. A chapa do Senado é de um bolsonarista que vota em Bolsonaro e a população baiana não quer. Nem Bolsonaro, nem os senadores do seu grupo. E o outro saiu da nossa chapa [Angelo Coronel] e agora fez uma revelação que eleito na nossa chapa, tremia para não votar no 13. E saiu, foi para lá, insistindo, reclamando, querendo ficar cá, querendo ficar na nossa chapa. Mas nós temos a candidatura de Rui, que além de leal, muito competente, testado e aprovado. Então, a outra chapa, claro, vai tentar se beneficiar de uma eleição polarizada, com a extrema-direita mentindo, caluniando, e nós vamos fazer uma campanha mostrando para o eleitorado baiano o que nós fizemos e o atraso que o povo baiano vai perder com a hipótese de vitória deles. Por isso tem uma expectativa que nós vamos ganhar a eleição no primeiro turno e vamos eleger Wagner, Rui para o Senado e Lula vai ter uma grande vitória na Bahia. Nós vamos eleger Lula também.

 

Tribuna: A campanha não começou ainda, mas a gente já vê algumas pesquisas de intenção de voto, inclusive para o cenário nacional na pré-disputa presidencial. E a gente vê essa eleição provavelmente que será polarizada entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro. Esse acirramento que os números mostram, de alguma forma preocupam o governo, preocupam o PT?

Afonso Florence: O acirramento veio constituído a partir das mobilizações de 2013, que depois do que aconteceu na Primavera Árabe, depois do que aconteceu no Irã, o que aconteceu na Venezuela, aqueles que defenderam naquela época, e eu não fui um deles, de que havia infiltração para golpe, vai ganhando contorno de confirmação. E com calúnia, difamação, fake news, um procurador e um juiz na Lava Jato, parciais, incompetentes, pelo próprio Supremo, foi o Supremo que disse que eles eram incompetentes, fizeram um jogo, tiraram o Lula da disputa, ganharam a eleição e o governo Bolsonaro foi conivente, práticas similares a genocídio, dava risada das famílias em luto por causa da pandemia, fez campanha contra a vacina. Flávio, que só tem o sobrenome e aí vai para a posição eleitoral da extrema-direita, todo crivado de calúnias com provas, vai conseguindo sobreviver a investigações, ainda não foi aprofundada uma investigação e um processo que o condene, mas parceria com milícias, com milicianos, rachadinhas, considero que é um candidato que o Brasil merece que ele seja derrotado com ampla vantagem para Lula. E eu tenho uma expectativa que na hora que o debate for feito, nós vamos combater as calúnias, as mentiras dele. Eu confio que o eleitorado brasileiro vai dar a vitória a Lula no primeiro turno.

 

Tribuna: O senhor acredita que nessas eleições o presidente Lula ajudará a trazer, a eleger mais deputados, mais senadores aliados, mais alinhados inclusive à esquerda, mudando um pouco esse desenho que se construiu nas eleições passadas para um Congresso mais conservador, mais de direita?

Afonso Florence: O governo Temer e o governo Bolsonaro implantaram o tal do orçamento secreto na Câmara, quando Rodrigo Maia foi presidente, primeiro Eduardo Cunha, depois Rodrigo Maia, depois Arthur Lira. Eles implantaram o tal do orçamento secreto e fizeram um jogo político eleitoral com um financiamento que até hoje não de corrupção e a nossa expectativa é que, como agora não há aquele orçamento secreto daquela forma, ainda há emendas e o ministro Dino vem exigindo transparência e nós defendemos que tudo seja transparente, igualitário. Nós vamos testar agora a eleição sem o orçamento. A minha expectativa é que a gente possa ou manter ou ampliar as bancadas de sustentação de Jerônimo e Lula. Precisamos ampliar, mas temos que ver qual vai ser o impacto daquilo que funcionou até 2022, mas a execução não.

 

Tribuna: Deputado, para a gente encerrar, que mensagem você deixaria para a população baiana e para o eleitorado para esse ano?

Afonso Florence: É um ano ainda de muito trabalho. Ainda estamos trabalhando. Precisamos aprovar a mudança na jornada de trabalho. As mães de família, as trabalhadoras, os trabalhadores merecem. A economia pode se adaptar. Estamos vendo muitos empresários se manifestando a favor, inclusive. Precisamos também resolver o tema do endividamento. Aprovamos, o governo Lula bancou e nós conseguimos aprovar a isenção do imposto de renda até 5 mil reais, mas ainda tem muito endividamento. Controlar as bets, esse negócio de jogo de aposta é muito grave, precisamos controlar e precisamos aprovar um aplicativo, não é possível que as mulheres e homens que trabalham dirigindo, seja automóvel, seja moto, fazendo entrega mesmo de bicicleta, os trabalhadores de aplicativo devem ter direitos, mas com direitos, jornada de trabalho, infraestrutura. Eu estive agora no aeroporto recentemente com os trabalhadores de aplicativo, é um absurdo aquela situação de transporte irregular dentro do aeroporto e o trabalhador de aplicativo só tem cinco minutos para embarque e desembarque. Então os direitos dos trabalhadores de aplicativo também estão na pauta do Congresso Nacional e nós vamos defender que esses trabalhadores autônomos tenham um tratamento digno por parte das empresas que contratam os serviços.

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