Camaçarí / BA - 04 de Abril de 2026
Publicado em 04/04/2026 11h07

"Ficou claro! governo passou vaselina" Subsídio ao diesel não terá impacto direto no preço nas bombas na Bahia

“É importante esclarecer que o subsídio anunciado, de R$ 1,20 por litro sobre o diesel importado, não se refletirá diretamente em uma redução de R$ 1,20 no preço da bomba". Ou seja, os postos de combustíveis não atuam na formação do preço final
Por:

Cheiro de gasolina no carro? Descubra o que pode ser e como tirar - AutoXP

Opinião: Sabe aquela frase "Tirar o doce da boca da criança". Ficou claro! o governo passou vaselina para minimizar impacto negativo com o aumento dos combustíveis 

A adesão do Governo da Bahia ao subsídio ao diesel proposto pelo Governo Federal não deve gerar impacto direto no preço cobrado nas bombas dos postos, segundo o Sindicato do Comércio de Combustíveis da Bahia (Sindicombustíveis Bahia). A medida prevê auxílio de até R$ 1,20 por litro de diesel importado, em meio à alta provocada pela crise internacional decorrente do conflito no Oriente Médio, mas, de acordo com a entidade, o efeito ao consumidor será limitado, já que apenas parte do combustível comercializado no país é importado.

O presidente do Sindicombustíveis Bahia, Glauco Alves Mendes, explicou que o impacto não será integral. “É importante esclarecer que o subsídio anunciado, de R$ 1,20 por litro sobre o diesel importado, não se refletirá diretamente em uma redução de R$ 1,20 no preço da bomba. O impacto real deve ser proporcional ao diesel importado, que, atualmente, representa aproximadamente 25% do volume comercializado no mercado nacional”, afirmou.

Segundo o sindicato, as distribuidoras não adquirem 100% do diesel com essa nova condição e as três maiores empresas do setor, Vibra, Ipiranga e Raízen, responsáveis por metade das importações privadas, não aderiram ao programa de subvenção. O prazo para inscrição referente às vendas de março foi encerrado na terça-feira (31), sem participação dessas companhias.

A entidade destacou ainda que os postos de combustíveis não atuam na formação do preço final. O sindicato pontuou que os estabelecimentos não compram diretamente da Refinaria de Mataripe, operada pela Acelen, nem de importadores, e também não realizam a mistura de biodiesel ao diesel, etapas que são atribuídas às distribuidoras.

“O posto é o último elo da cadeia de produção e comercialização. Apenas revende. O cenário que vivenciamos hoje é complexo e precisa ser tratado com responsabilidade. Deve-se analisar toda a cadeia, do poço ao posto, e não transferir a responsabilidade para o último elo. O que não podemos aceitar é culpar o revendedor que não forma preço e não define custos. Enquanto houver instabilidade internacional e restrição de oferta, os efeitos continuam mesmo após o fim do conflito”, disse Glauco Mendes.

A proposta de subsídio apresentada pelo Ministério da Fazenda prevê divisão do custo entre União e estados, com R$ 0,60 pagos pelo governo federal e R$ 0,60 pelos governos estaduais por litro de diesel importado. A alternativa surgiu após resistência dos estados à proposta inicial de zerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) na importação do combustível.

No Brasil, cerca de 65% das cargas são transportadas por rodovias, o que torna o diesel um insumo estratégico para o custo do frete e, consequentemente, para os preços de alimentos e produtos. O vice-presidente de desenvolvimento profissional do conselho de contabilidade, André Luis Barbosa, destacou que a estabilização do diesel pode reduzir a pressão sobre o transporte e evitar repasses ao consumidor. “Como o diesel é utilizado em caminhões, ônibus, transporte de mercadorias e transporte público, o subsídio ajuda a reduzir a pressão sobre o preço das passagens e evita que o frete fique mais caro, diminuindo também a chance de aumento de alimentos e de outros produtos em geral”, explicou.

Comente essa notícia