Camaçarí / BA - 04 de Abril de 2026
Publicado em 01/04/2026 14h05

Justiça brasileira; uma vergonha por dia (Balcão de negócios): PF revela “tabela da propina” em venda sentenças

Valores previamente definidos para cada etapa do processo, uma espécie de “tabela da propina” que transformava sentenças em mercadoria. Decisões poderiam ser negociadas por até R$ 250 mil.
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Venda de sentenças TJMA

 

Uma investigação da Polícia Federal (PF) mira um esquema de decisões judiciais dentro do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), com valores previamente definidos para cada etapa do processo, uma espécie de “tabela da propina” que transformava sentenças em mercadoria.

Os detalhes constam na decisão a qual a coluna teve acesso e que deu origem à operação deflagrada na manhã desta quarta-feira (1°/4). Segundo a apuração, decisões poderiam ser negociadas por até R$ 250 mil.

O valor era dividido por fases, ou seja, cerca de R$ 100 mil para decisões iniciais, e o restante condicionado ao julgamento final. A negociação envolvia diretamente o desembargador Antônio Pacheco Guerreiro Júnior.

Delação

A investigação teve início após colaboração premiada de Maurílio Ramalho de Oliveira, que detalhou como funcionava o suposto balcão de negócios dentro do Judiciário.

 

De acordo com o delator, as decisões eram “tratadas” previamente, os pagamentos eram feitos em dinheiro e transferências e intermediários atuavam na negociação.

Mensagens obtidas pela PF reforçam o relato. Em uma delas, um dos investigados afirma: “Já mandei fazer o depósito.”

Pagamentos

Parte dos valores teria sido repassada por meio de contas vinculadas a empresas e terceiros. Uma das transferências foi feita para a empresa Fontana Empreendimentos, ligada ao então assessor do desembargador, Lúcio Fernando Penha Ferreira.

Outros pagamentos também foram direcionados a investigados ligados ao esquema, incluindo empresários.

Também foi autorizado o bloqueio do montante de até R$ 50 milhões.

A apuração aponta a participação de magistrados, assessores e outros envolvidos, que teriam atuado em conjunto para favorecer partes em disputas milionárias

As medidas atingem gabinetes, escritórios de advocacia e empresas

Desembargadores Antônio Pacheco Guerreiro Júnior e Luiz de França Belchior Silva, do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA)                   Desembargadores  Antônio Pacheco Guerreiro Júnior                Luiz de França  Belchior Silva, ambos  do Tribunal de Justica do Maranhão 

A investigação também identificou pagamentos em dinheiro vivo. Em um dos episódios, mensagens indicam que valores foram entregues diretamente a Lúcio Penha, que teria ido buscar o dinheiro em uma emissora de TV ligada a um dos envolvidos.

A PF conseguiu cruzar dados e confirmar que o veículo utilizado pelo assessor esteve no local no dia da entrega.

Decisões em série

 

Após obter decisões favoráveis, o delator afirma que interrompeu pagamentos. A partir disso, passou a ser alvo de decisões desfavoráveis, proferidas com rapidez incomum, segundo a investigação.

Diante das evidências, a Polícia Federal pediu buscas e apreensões, quebra de sigilos, bloqueio de bens e afastamento de funções públicas. As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A investigação aponta indícios de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa

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